quinta-feira, 7 de junho de 2012

O som espinhoso do Cactus



MÁRCIO PAULA MORAES

A banda durou muito pouco tempo, de 1970 a 1972, mas enquanto esteve na ativa brilhou e produziu importantes álbuns para a história do rock n roll. 

Formada de uma derivação de músicos vindos também de outras bandas como o Vanilla Fugde, Buddy Miles Express, a formação original do Cactus era composta por Carmine Appice (bateria), Tim Bogert (baixo), Rusty Day (vocal) e Jim McCarty (guitarra). McCarty era da cidade de Detroit (EUA), e muito ligado ao blues – gênero que deu ao Cactus uma grande semelhança com o Led Zeppelin.

O som do Cactus oscila entre o rock bruto como em Parchman Farm e o blues como na deliciosa faixa NoNeed To Worrry, ambas as músicas do primeiro álbum homônimo da banda, lançado em 1970. Dado curioso é que a capa deste disco foi censurada no Brasil pelos censores militares, pois eles entendiam que a foto que ilustrava a capa a capa fazia apologia ao sexo, a um pênis, e foi considerada inapropriada. Foi preciso refazê-la para que o disco fosse comercializado no país.
Capa do 1º disco da banda
Em vários momentos o Cactus se assemelha ao Led Zeppelin. Talvez até por uma obsessão americana de ter sempre alguma banda que fizesse frente às inglesas. Vale lembrar que o foi com esse espírito que surgiram outras bandas (muito boas por sinal), como o Grand Funk e o Monkees, essa descaradamente produzida pelos meios midiáticos americanos para ser a opção americana aos Beatles. A banda até teve bons momentos enquanto durou seu programa de tevê na década de 60, nos Estados Unidos, mas francamente, compará-la com Beatles é covardia!

A identificação do Cactus com as bandas inglesas era latente, não só com o Led. Em vários momentos de Oleo, a banda faz lembrar o período dos anos 60 dos Rolling Stones, principalmente a gaita, soprada por Rusty Day, comum nas músicas Stoneanas.

Diante de uma onda avassaladora do rock inglês nas décadas de 60 e 70, parecia que a regra era se alimentar de fontes sadias, e as bandas americanas para fazer frente às inglesas, que arrebentavam pelo mundo afora, era mesmo tentar fazer igual aquilo que estava dando certo. Ao procurar esse assemelhamento com o Led Zeppelin e incutir elementos do blues à sua música o Cactus passou a integrar o grupo de bandas que vinha trabalhando esses conceitos há muito tempo.

O segundo álbum (One Way... Or Another) lançado em fevereiro 1971 também foi muito bem aceito pelo público e mídia, mas dava sinais que a banda carecia de genialidade para criar. Nele consta um grande sucesso de Little Richard, de1956, Long Tall Sally (também gravada por Elvis Presley). No mesmo ano, em outubro, o Cactus se arriscaria com seu terceiro e último álbum com a formação original completa, Restrictions. 

Já sem o guitarrista bluesman Jim McCarty, a banda lançou Ot ‘n’ Sweaty (1972), que dispensa comentários, uma vez que, meses depois a banda se dissolveu.

Em 2006, envelhecida, a banda se reuniu e lançou seu quinto e último álbum, Cactus V, porém com quase todos os integrantes da formação original, trata-se de um belo álbum, mas desprezado pelos próprios fãs da banda que preferem o som antigo. O vocalista Rusty Day morreu aos 36 anos apenas, em junho de 1982.

Cactus foi uma das poucas bandas americanas que entrou para a história do rock num dos períodos mais difíceis, pois para fazer frente ou igualar-se às bandas inglesas não era tarefa fácil, era preciso ser bom muito, mas muito bom. E o Cactus era.

Quem criou o heavy metal? Acerta quem diz Blue Cheer




MARCELO MOREIRA

Quem inventou o heavy metal? Essa é a pergunta mais inconveniente do rock, quase tão infame como aquela básica: “Qual a origem do universo? De onde viemos”? As teorias são muitas, mas falta credibilidade para quase todas elas. Então a questão vira briga de arquibancada, com zero de razão e tudo de paixão.

O lugar comum diz que o surgimento do Led Zeppelin, em outubro de 1968, é o inicio do heavy metal. Na mesma época, os Beatles soltavam o famoso “Álbum Branco”, que trazia a obra-prima “Helter Skelter”, que muitos consideram a primeira música pesada da história.

Os radicais preferem cravar 13 de fevereiro de 1970 como a data de nascimento do metal, dia em que foi lançado “Black Sabbath”, álbum intitulado da banda homônima de Ozzy Osbourne e Tony Iommi.

Já os “arqueólogos” do rock gostam de citar o lançamento do compacto “You Really Got Me”, dos Kinks, no começo de 1964, como o marco zero da música pesada – assim como “I Can’t Explain”, do Who, do final deste mesmo ano, nascia o marco zero do punk rock.

Eu prefiro seguir uma outra linha, até em homenagem a um baixista que morreu em 2009 e que integrou aquela que provavelmente foi a primeira banda integralmente pesada dos anos 60 – e do rock, em geral.

O Blue Cheer é cria do baixista Dickie Peterson e surgiu em San Francisco, na Califórnia, em 1966, bem no comecinho da era hippie e do flower power. Só que, radicais como eram, o então quinteto já adotava uma postura metaleira e tocava muito alto, com muita distorção, a ponto de destroçar os amplificadores.

As letras comuns do rock, falando de garotas, carros, bebedeiras e sacanagem em geral, conviviam com os temas soturnos, negativos e pesados. E foi como um trio que no fim de 1967 gravaram rápido e lançaram em janeiro de 1968 o primeiro álbum, “Vincebus Eruptum”, que trazia uma versão para “Summertime Blues”, de Eddie Cochrane, imortalizada na versão pesadíssima e suja do Who ao vivo.

A versão do Blue Cheer era mais pesada ainda, com toneladas de peso e muitos efeitos de guitarra. Peterson era o baixista e vocalista, sendo que a formação clássica era completada por Paul Whaley na bateria e Leigh Stephens na guitarra.

“Vincebus Eruptum” é considerado nos Estados Unidos como primeiro álbum de heavy metal da história. Peterson nunca escondeu que suas influências principais foram o Jimi Hendrix Experience – especialmente a apresentação do Monterey Pop Festival, em 1967 – o Who e o Cream.

Dickie Peterson costumava dizer que o Blue Cheer não fazia nada demais. “Nós pegávamos o blues e o distorcíamos até se tornar irreconhecível. Parece que fomos os primeiros a fazer isso com tamanha competência…”

Seja por desconhecimento, ou mesmo por falta de informação – na verdade, uma checagem de datas –, alguns críticos ingleses citam de vez em quanto “In-A-Gadda-Da-Vida”, o segundo álbum de estúdio da banda Iron Butterfly, lançado em meados de 1968.

Tanto o álbum como a música-título são bastante pesados, mas ainda assim perdem por pouco para o Blue Cheer – diz a lenda que o vocalista do Iron Butterfly, Doug Ingle, estava tão bêbado quando gravou a música “In the garden of Eden”, que a faixa 6 passou a se chamar “In a gadda da vida”.

Seja como for, o primeiro álbum do Blue Cheer, “Vincebus Eruptum”, merece uma audição para conferir o verdadeiro marco zero do heavy metal.

Participando ativamente de projetos e programas de apoio à pesquisa sobre a doença em busca de novos tratamentos, abandonou definitivamente o mundo da música em 1989, já impossibilitado de tocar. Morreu em 1997, aos 51 anos.

Humble Pie e a genialidade de Steve Marriott




Momentos felizes: Marriot ao centro
MARCELO MOREIRA

A entrevista coletiva do guitarrista inglês Peter Frampton terminara havia minutos em um hotel em São Paulo, no ano passado. Muito solícito, foi cercado no saguão por um alguns fãs e jornalistas ávidos por respostas. Um dos jornalistas não teve pudor e sacou de uma sacola um LP doHumble Pie, “As Safe as Yesterday”, de 1969, o disco de estreia da banda.
 
Frampton pareceu surpreso, mas na verdade estava atônito. Fazia tempo que ele não via alguém lhe mostrar um álbum de sua segunda banda. Paralisado por alguns momentos, pegou o álbum de vinil, observou-o e só depois o autografou. Quando devolveu ao dono, disparou: “Excelente álbum, som fantástico. Toquei muito nele. Longa via à memória de Steve Marriott, que morreu há 20 anos.”

 ex-guitarrista e vocalista do Small Faces e do Humble Pie morreu no dia 20 de abril, em 1991, em sua casa no interior da Inglaterra. Exausto após uma viagem de avião vindo dos Estados Unidos, deitou na cama para descansar, mas acabou cochilando com um cigarro aceso entre os dedos. A casa pegou fogo.

 Para marcar as duas décadas sem o grande guitarrista, as gravadoras Immediate e A&M pretendiam reeditar em CD toda a obra do Humble Pie. O projeto não foi para a frente. Em vez disso, chega ao mercado no mês que vem uma reedição de “Natural Born Boogie”, uma excelente coletânea de gravações feitas para a rádio BBC de Londres entre 1969 e 1973.

 A Decca Records, que detém o catálogo dos Small Faces, planeja reeditar duas coletâneas desta banda: “The Autumn Stone” e “The BBC Sessions” até o final do ano.

Bom guitarrista e carismático, o jovem Martiott formou os Small Faces para tocar covers de rhythm & blues norte-americanos e clássicos rockabilly. O baixista Ronnie Lane, seu companheiro de banda e exímio compositor, perturbou-o para que criassem material próprio aproveitando a voz aguda e potente de Marriott.

A mesca de rock dos anos 50 e rhythm & blues acabou dando certo e foram contratados ainda em 1965 pela Decca como uma resposta ao Who e aos Animals, que estavam estourando na mesma praia. E, assim como o Who, os Small Faces fora adotados pelo movimento mod, fanáticos pela música negra dançante dos Estados Unidos e que caprichavam no visual elegante, com terninhos e gravatas.

No ano seguinte, os amigos do Who – Kenney Jones, o baterista, substituiria Keith Mon na banda em 1979 – acabaram com essa história de símbolos dos mods e caíram de cabeça no rock and roll mais visceral. Os Small Faces ainda aguentaram até 1967 nessa patacoada, até que decidissem optar pela psicodelia e por letras mais abstratas, o que desagradou Ronnie Lane.


Em 1968 o quarteto entrou em declínio, ficando fora do topo das paradas na maior parte do tempo. Cada vez mais desinteressado, Steve Marriott começou a fazer jams com muitos músicos de Londres e começou a ficar fascinado com o blues pesado do Free, de Paul Rodgers.

 No final do ano comunicou o Small Faces que estava fora e convenceu o novo amigo, Peter Frampton, da promissora banda The Herd, a criar um novo grupo para tocar um rock mais pesado, algo entre Free Led Zeppelin. Em 1969 surgia o Humble Pie.

Ao mesmo tempo, o trio remanescente do Small Faces – Ronnie Lane, Kenney Jones (bateria) e Ian McLagan (teclados) – se uniu a Rod Stewart e ao guitarrista Ron Wood, demitidos do Jeff Beck Group. Estava formado o The Faces, de sonoridade mais pop e folk.

Humble Pie surgiu como um furacão e logo ocupou o lugar do Free no coração dos apreciadores de blues pesado – o quarteto de Paul Rodgers semrpe esteve envolto em conflitos internos e praticamente acabou em 1972. Mais entrosados do que nunca, Frampton e Marriott criaram verdadeiros clássicos do rock inglês, como “Natural Born Boogie”, “Wrist Job”, “Desperation” e “As Safe As Yesterday Is”.


 Mas não demorou para que o encrenqueiro Marriott começasse a implicar com Frampton, reclamando que oHumble Pie estava ficando pesado demais. Ele voltou a se interessar por soul music e rhythm and blues, enquanto que Frampton buscava algo mais acessível e pop, mesmo que fosse hard rock.

As brigas constantes causaram a saída de Frampton em 1972, logo substituído por Dave “Clem” Clemson, que também era bom cantor além de guitarrista. O redirecionamento musical da banda foi imediato, mergulhando fundo na soul music clássica. O público, no começo, aprovou, mas depois abandonou o Humble Pie, que encerrou as atividades em 1975.

Tentou recriar os Small Faces em 1977 com Jones e McLagan, que estavam parados desde o fim dos Faces, também em 1975. Mesmo sem Ronnie Lane, que recusou para continuar sua bem-sucedida carreira solo, a nova encarnação lançou os fracos “Playmates”, em 1977 e “78 in the Shade” em 1978.

 Novas decepções, novas brigas e novo fim. Marriott então parte para o desespero e tenta reformar o Humble Pie. Peter Frampton recusa, assim como o baixista Greg Ridley.

Clássico álbum da banda
 Ao lado do baterista original Jerry Shirley, contrata o vocalista e tecladista Bob Tench e o baixista Anthony Jones para gravarem “Go for the Throat” em 1980. Mesmo com as fracas vendas, ainda insistiram no ano seguinte com “On to Victory”, que teve desempenho pior ainda. O fim da nova encarnação do Pie era apenas uma questão de tempo.

 Nos anos seguintes Marriott montou bandas diversas para fazer shows solo pelo interior da Inglaterra e pela Alemanha, mas o máximo que conseguiu foi se tornar um cover de si mesmo. Pelo menos as reedições prometidas para este ano resgatam o verdadeiro talento de Steve Marriott.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Venda os seus discos de vinil

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

30 anos da Besta

Depois de quatro anos sem nenhuma expectativa por parte dos fãs, eis que “IRON MAIDEN: 30 Years of the Beast” surge no mercado editorial brasileiro. A obra, que é uma biografia não autorizada de uma das maiores lendas do metal mundial, foi escrita pelo jornalista Paul Stenning, um reconhecido colaborador das principais revistas de heavy metal da Europa. Embora possua uma série de adjetivos favoráveis na sua contracapa, o livro está longe de ser o registro definitivo e mais detalhado sobre a carreira da Donzela.

Em uma iniciativa pioneira em nosso mercado, a Beast Books desponta como a única editora especializada em livros de rock e heavy metal do país. O seu primeiro lançamento não poderia agradar mais os fãs da música pesada: a biografia de Paul Stenning é a primeira a tentar contrapor a obra “Run to Hills” – o registro oficial e completo (com mais de quatrocentas páginas) sobre a carreira do IRON MAIDEN – assinada por Mick Wall, outro famoso escritor dos astros do rock. No entanto, “30 Anos da Besta” peca por uma série de motivos. Embora possua o rótulo de não-autorizada, Stenning não soube explorar os aspectos mais controversos da trajetória de Harris & Cia. e construiu uma análise superficial sobre a história da Donzela.
Com uma quantidade interessante de entrevistas realizadas com quase todos os integrantes da banda nos últimos vinte anos, Paul Stenning se aproximou, posteriormente, aos ex-membros e roadies do Iron Maiden para construir o seu ponto de vista sobre a história do grupo. O relato do escritor inglês inicia – como não poderia ser de outra maneira – a partir do interesse de Stephen “Steve” Percy Harris pelo rock n’ roll. Embora apenas mencione a carreira do músico iniciante com o GYPSY’S KISS e o SMILER (nos primeiros anos da década de setenta), é a primeira formação da Donzela – Paul Day (vocal), Terry Rance e Dave Sullivan (guitarras), Steve Harris (baixo) e Ron Rebel (bateria) – que serve como pontapé para a obra.


Entre os primeiros shows no Ruskin Arms e no Cart and Horses, não existe nada em “30 Anos da Besta” que possa ser chamado de inédito para os fãs mais fanáticos. Entretanto, muitos dos pontos abordados ainda podem ser uma novidade para os mais novatos – e o conflito Iron Maiden vs. punk rock é o mais notável desse repertório à parte. De qualquer modo, Stenning prejudicou a obra por não aprofundar os episódios de bastidores da Donzela, que cercaram os primeiros espetáculos, o EP “The Soundhouse Tapes” (que chegou a ser roubado) e os detalhes do contrato com a EMI. No entanto, as entrevistas com o ex-baterista Thunderstick (e ex-companheiro de Dickinson no SAMSON) e o ex-tecladista Tony Moore, que atuaram com a banda na década de setenta, até podem ser relevantes para um preenchimento diferenciado da obra.


Por outro lado, ninguém precisou ser um gênio para reconhecer, desde os primeiros dias de banda, o comprometimento que Steve Harris tinha quanto aos próximos passos que o IRON MAIDEN daria no futuro. Claramente, Harris possui uma destreza ímpar para os negócios e a Donzela é a maior prova disso. De outro lado, Rod Smallwood – que se tornou o empresário da banda – vendeu a sua casa para que pudesse investir com mais recursos no nome que despontava frente à NWOBHM. Paul Stenning, que preferiu dividir os capítulos de “30 Anos da Besta” conforme os discos do IRON MAIDEN (um para cada álbum), preencheu a obra com análises e comentários sobre as músicas sem abordar questões inéditas e/ou polêmicas. Nos dois primeiros anos com a EMI, as saídas de Dennis Stratton e Paul Di'Anno parecem vistas com um olhar muito distante, sem considerar os conflitos dos dois músicos com o restante da banda. Na realidade, Stratton foi demitido por não ser um guitarrista de heavy metal. Do outro lado, o vocalista – que constantemente se envolvia com drogas e com a polícia – comprometia a carreira do IRON MAIDEN com o seu comportamento.

De um modo parecido, a entrada de BRUCE DICKINSON na banda – cercada por uma tensão com Paul Samson (o homem por trás de sua ex-banda) – impossibilitou que o cantor gravasse com a sua nova banda entre setembro de 1981 e abril de 1982. Embora cite esse e quase todos os outros contratempos que o Iron Maiden enfrentou durante as turnês Beast on the Road e World Piece Tour, Stenning, mais uma vez, deixou muitos dos aspectos controversos da Donzela em menor tamanho dentro da obra. Dickinson, que começou a dar indícios do seu descontentamento com as extensas turnês (e acenar para uma saída do grupo), aparece com certo destaque em “30 Anos da Besta”. No entanto, o primeiro show do Iron Maiden na América do Sul – no primeiro Rock in Rio, para um público estimado em duzentas mil pessoas – sequer possui uma referência dentro do livro. Por outro lado, o autor analisa os discos com uma nítida paixão de fã e aponta “Piece of Mind” (1983) como o melhor registro de Harris & Cia até hoje.

Embora possua uma sequência de esquecimentos relevantes para a obra, “30 Anos da Besta” consegue construir, principalmente, um relato interessante sobre a trajetória de BRUCE DICKINSON frente à banda, sobretudo a partir de “Somewhere in Time” (1986) – disco que evidenciou os interesses musicais opostos do cantor e do restante dos músicos. Claramente, Paul Stenning aproveita o capítulo sobre esse álbum para caracterizar como extremamente importante as capas assinadas por Derek Riggs para a consolidação da marca Iron Maiden em todo o mundo. Entretanto, o escritor não aproveitou o capítulo seguinte para detalhar quais foram os conflitos musicais internos que culminaram na saída de Adrian Smith, pouco antes de a banda iniciar a produção de “No Prayer for the Dying” (1990) – um dos mais controversos discos do grupo (e que é muito elogiado por Stenning).

De uma forma desnecessária para uma biografia como essa, o escritor explicita demais o seu ponto de vista sobre a qualidade das músicas da Donzela, enfatizando uma análise bastante íntima quanto aos registros de estúdio do Iron Maiden. A história do grupo, supostamente sem nenhum tipo de censura, acaba sendo apresentada em segundo plano ao longo do livro. Em “30 Anos da Besta”, Stenning sequer comentou as suspeitas de plágio que até hoje ainda cercam “2 Minutos to Midnight”. Ele tampouco buscou desmembrar e contextualizar os conflitos que existiram entre BRUCE DICKINSON e Steve Harris durante a turnê de “Fear of the Dark” (1992), que quase ocasionaram o fim precoce da banda. De outra forma equivocada, o escritor preferiu dedicar uma sequência de páginas para contar os primórdios do WOLFSBANE, sem ao menos mencionar o sério acidente de moto que BLAZE BAYLEY sofreu em fevereiro de 1994 – que atrasou por cerca de três meses as gravações de “The X-Factor” (1995).

Os conflitos, que deveriam ganhar uma nova perspectiva em uma biografia que se diz não-autorizada, são sempre mostrados de modo raso e rasteiro. Da mesma forma que os outros dois vocalistas que o antecederam, BLAZE BLAYEY não deixou a Donzela amigavelmente, como os relatos oficiais tentam apontar. Os constantes erros do cantor ao vivo, assim como o fracasso que se acentuou ainda mais em “Virtual XI” (1998), definitivamente resultaram na demissão precoce de Bayley. Paul Stenning – ao invés de explorar os motivos, dentro da própria banda, responsáveis pela perda de popularidade (em nenhum momento aceita um novo encaminhamento sonoro do IRON MAIDEN) – prefere considerar uma possível morte do gênero metálico, não pelo grunge e pela ascensão do NIRVANA na década anterior, mas pela postura polêmica que o Metallica assumiu anos depois.

Na sequência, o autor inglês relata (com pouca profundidade, mais uma vez) o contexto criado para volta de BRUCE DICKINSON e os preparativos do álbum “Brave New World” (2000), que devolveu o status de celebridade aos músicos do Iron Maiden. Stenning, um fã declarado de Dickinson, considera inexpressivos os anos em que BLAZE BAYLEY esteve com a Donzela, até mesmo quando mostrou qualidade e criatividade em “Virus”, faixa inédita que compõe a coletânea “Best of the Beast” (1996). De qualquer maneira (e como não poderia ser diferente), o autor superestimou a carreira solo do cantor, inclusive das controvérsias que envolvem a qualidade sonora de “Sunkworks” (1996) e “Tyranny of Souls” (2005). Os fãs mais exigentes – que provavelmente esperavam um relato histórico mais imparcial – discordarão de muitas das avaliações feitas por Stenning.


Embora não chegue a abordar os anos mais recentes da banda, Stenning conseguiu agrupar uma série de informações curiosas sobre os integrantes do Iron Maiden. Dickinson, um cara muito interessado por história e literatura, é dono de uma biblioteca particular com cerca de sete mil livros. De outro lado, a sua paixão pela esgrima o fez representar os ingleses no Campeonato Europeu de 1989, durante as férias após a turnê de “Seventh Son of a Seventh Son” (1988). De qualquer modo, essas informações até podem parecer irrelevantes e/ou desnecessárias dentro do contexto maior da obra, que deixou de fora os detalhes que levaram Adrian Smith se juntar ao projeto solo de Bruce a partir de “Accident of Birth” (1997).

No encerramento de “30 Anos da Besta”, uma entrevista reveladora com Derek Riggs (praticamente um apêndice à biografia) mostra o quão difícil era trabalhar com Rod Smallwood, do ponto de vista do artista. Riggs conta que nunca chegou a tratar diretamente com os músicos sobre os conceitos das capas que desenhou, assim como deixa claro a pressão que o empresário do Iron Maiden colocava sobre as suas costas. As capas, que precisariam de um mês para ser completamente desenhadas, eram entregues em apenas três dias por conta das exigências comerciais. Derek Riggs, ao contrário do que muitos possam imaginar, nunca conseguiu receber uma quantia relevante por Eddie – certamente a sua criação mais importante – e possui uma vida modesta nos dias de hoje.

Em uma análise bastante crítica, “30 Anos da Besta” é uma obra muito fraca, onde o jornalista Paul Stenning se mostrou mais preocupado em dar a sua opinião sobre os discos da banda do que construir um relato próprio e, consequentemente, uma visão singular sobre os fatos (obscuros ou não) que existem por trás da carreira do Iron Maiden. Certamente, os fãs mais exigentes irão se decepcionar com a análise rasteira dos temas abordados. Com pouco mais de duzentas páginas (provavelmente pouco para esmiuçar trinta anos de carreira), é nítido que faltou destreza para a pesquisa de Stenning. “30 Anos da Besta” aproveita do rótulo de não-autorizada que possui. A maioria das histórias encontradas na obra está à disposição em revistas especializadas e em páginas na internet.

Por fim, uma característica de “30 Anos da Besta” não poderia passar em branco: o livro possui uma impressionante quantidade de falhas técnicas. Os erros de português e de digitação aparecem em série em cada página, muitos deles imperdoáveis para uma editora que busca reconhecimento no mercado. Do mesmo modo, a tradução se mostra errônea em muitos momentos. Ela mistura nomes de músicas e de discos constantemente – o que ainda deixa claro a ausência de um revisor mais atento. Entre poucos altos e muitos baixos, “30 Anos da Besta” ficou, infelizmente, muito aquém do esperado. Não há um custo/benefício relevante para essa obra que custa absurdamente R$70 (em média).
Fonte: Whiplash - Reprodução Autorizada

Quais as curiosidades sobre as faixas do "Sgt. Peppers"?


Antes de atrelar o conceito de os Beatles tocarem com um pseudônimo, as primeiras sessões para o novo álbum pareciam ter como tema central a infância em Liverpool. Isto foi provocado pela composição Strawberry Fields Forever, que John escreveu na Espanha durante as filmagens de "How I Won The War." Inspirado por esta canção, Paul escreveu Penny Lane e depois ressuscitou When I'm Sixty-Four, uma composição antiga, escrita para seu pai. A dupla Lennon-McCartney ainda iria compor juntos A Day in the Life. Durante parte desta período, os Beatles batizaram o álbum jocosamente de "One Down, Six To Go" em uma referência ao novo contrato com a gravadora e os discos que ficaram obrigados a criar. Antes de A Day In The Life ser efetivamente gravado, o tema de infância foi abandonado.

A seqüência das canções, com dois lados ininterruptos de música, é mais um detalhe que faz com que este disco seja visto como tão inovador. Esta idéia veio de John Lennon e foi combatida por Brian Epstein que sabia que embora o conceito fosse de um trabalho inteiro e não uma coleção de canções, sempre haveria aquele público que iria preferir pular certas faixas procurando ouvir apenas as favoritas. Epstein perdeu a discussão.
Com a intenção clara de oferecer o máximo de música possível no espaço de um vinil, começa uma nova era de popularidade para o bolachão. Até então, LP's (Long Plays) eram vistos como um veículo para colocar alguns hits somados a o que em inglês se costuma chamar de fillers, ou seja, músicas apenas para completar o vinil. A proposta dos Beatles acaba com este raciocínio e LP's passam a ter uma identidade própria e em tempo, seria suplantado o interesse maior, que sempre fora dado aos compacto. Os Beatles aliás, sempre deram importância para que todas as músicas de seus álbuns fossem de alguma qualidade, mas este é o primeiro álbum que procura demonstrar claramente, com as faixas sem intervalo, que é para se ouvir inteiro uma música após a outra, na ordem apresentada, muito como uma peça de teatro ou um filme. Em retrospectiva, Sgt. Peppers seria visto como o primeiro álbum conceitual da historia.

Para o mercado americano, o álbum lançado no dia 2 de junho, já tinha pedidos avançados na ordem de um milhão de copias, vendendo mais de dois milhões e meio até final de agosto. O álbum foi Nº 1 no Reino Unido por 27 semanas (seis meses e meio), e na América por 19 semanas (quatro meses e meio). Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band recebeu quatro Grammy Awards naquele ano, por melhor álbum, melhor álbum contemporâneo, melhor capa de um álbum e álbum com melhor engenharia de som. Em 1977 o álbum ainda viria a receber da British Phonogram Industry a honra de ser considerado o melhor álbum Britânico de pop criado entre 1952 e 1977.

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
O álbum começa com uma orquestra afinando seus instrumentos antes de iniciar a primeira faixa, a canção Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Na verdade, esta afinação de instrumentos foi retirada do inicio da gravação da orquestra para A Day In The Life. As bases foram inicialmente gravadas em 1º de fevereiro, porém os sopros foram adicionados em março. Optou-se por usar quatro French Horns, executados por James Buck, John Burden, Tony Randell e Neil Sanders. Os aplausos e risadas utilizados em dois momentos da canção foram retirados dos arquivos sonoros da EMI (Volumes 6 e 22) e foram gravados em apresentações realizados respectivamente no Royal Albert Hall e no Elizabeth Hall. No final da canção, ao chamar o cantor Billy Shears, a gritaria e alarde ouvidos vêm de uma fita da apresentação dos Beatles no Hollywood Bowl de 1965.

A Little Help From My Friends
Com as sessões do Sgt. Pepper's já quase findando, Lennon e McCartney sabiam que faltava uma canção para Ringo cantar. Era de lei que ele, como também George, tivesse pelo menos um número em cada álbum. Paul então compõe With a Little Help From My Friends, em que John contribuiu com algumas frases, a letra já bastante encaminhada. A canção foi gravada dia 20 de março, o mesmo dia em que os Beatles tiraram as fotos para a capa. John estava com o dedo latejando e nesta primeira sessão, a canção foi chamada de Bad Finger Boogie.

Lucy In The Sky With Diamonds
Alguém um dia levantou a hipóteses de que o titulo é uma referencia a LSD e embora John Lennon tenha seguidamente desmentido a idéia, a lenda até certo ponto continua. Embora a letra possa ter sido escrita entre viagens do alucinógeno, já que Lennon neste período estava experimentando com a droga, o título na verdade vem de um desenho de seu filho Julian, então com quatro anos. Lucy é Lucy O'Donnell, uma colega de escola. À esquerda consta o desenho de Julian que inspirou a canção e seu titulo.
As gravações começaram dia 1º de março e foram concluídas no dia seguinte, faltando apenas mixar. Variação na rotação da gravação foi uma técnica utilizada mais nesta do que em qualquer outra canção no álbum. A base inicial foi reduzida de quatro para dois canais em uma rotação de 49 ips. A primeira voz de John, acompanhado pelo backing de Paul foi gravado em 45 ips, enquanto a segunda voz de John novamente com backing de Paul, foram gravados em 48 1/2 ips. Assim, no resultado final ouvido no disco, apenas o baixo de Paul e a guitarra com pedal fuzz de George, estão em rotação normal.

Getting Better
Hunter Davis estava entrevistando Paul McCartney, preparando material para o que seria a primeira biografia autorizada dos Beatles, acabando por ser publicada em 1968. Conversando enquanto levava a cadela Martha para passear, Paul observa o tempo bom e comenta "It's getting better" (está melhorando), se referindo à melhora do tempo com a chegada da primavera. A frase lhe trouxe lembranças de Jimmy Nichol, antigo baterista do Georgie Fame & the Blue Flames, que se tornou um Beatle durante parte da excursão Australiana de 64, enquanto Ringo estava hospitalizado (veja foto desta formação ao lado). Nichol, ao ser indagado como se sentia após cada ensaio e show, respondia sempre com um sorriso, "It's getting better." Davis conta que, ao voltar para casa, Paul pegou a guitarra e começou a brincar com a frase. Mais tarde John Lennon chegaria e "Getting Better" seria a canção de trabalho do dia. Canção composta realmente em pareceria, Lennon diria a respeito que "Eu sinceramente acredito em paz e amor. Eu sou um homem violento que aprendeu a não ser violento. Sou um homem que se arrepende de sua violência."

She's Leaving Home
Paul McCartney leu este artigo sobre uma menina de 17 anos que fugiu de casa, e como ele sempre tivera um bom relacionamento com seus pais, a história o tocou. À procura de sociedades alternativas, jovens deixando o lar e abandonando uma educação formal eram relativamente comuns a partir de 1967.Da frase "I can't imagine why she should run away, she has everything here." proferida pelo pai da menina no artigo, Paul escreveu "we gave her everything money could buy".A menina se chama Melanie Coe. A maior distinção entre sua historia pessoal e a da canção, é que ela na verdade fugiu para se encontrar com um rapaz que trabalhava como croupier num cassino. No mais, Paul acertou bastante quanto à distancia na comunicação entre as gerações dos pais e filhos. Ela foi encontrada e raptada de volta para a casa de seus pais até completar 18 anos e casar, para poder fugir de vez.
A canção tem a distinção histórica de ser a única gravada pelos Beatles, contendo uma orquestração arranjada por outra pessoa que não fosse George Martin. Quando Paul McCartney, autor da canção, procurou Martin, este estava ocupado terminando a produção de outro artista. Martin pediu que Paul aguardasse alguns dias antes dele poder assumir o arranjo, mas na pressa Paul não pensou duas vezes em contratar outro arranjador, Mike Leander, para fazê-lo. George Martin, apesar de ofendido, não deixou de continuar a trabalhar e colaborar, regendo a orquestra para a gravação.

Being For The Benefit of Mr. Kite
Enquanto gravando o clip para Strawberry Fields Forever, John Lennon e um empregado da NEMS, Tony Bramwell, entraram em um antiquário perto do hotel que a equipe usava como base, na cidade de Sevenoaks em Kent. Lá, John encontrou e comprou um cartaz emoldurado, impresso em 1843, na era Vitoriana, anunciando o Pablo Fanque's Circus Royal. John usou o pôster como inspiração para a canção, mas mudou vários dos fatos para facilitar rimas. Pablo Fanque, cujo verdadeiro nome é William Darby, foi o primeiro negro proprietário de um circo na história da Inglaterra. O cartaz hoje pertence a Sean Lennon. À esquerda está a foto dele ainda pendurado na parede da casa de John em 1971. Clique na foto para ver mais detalhes do cartaz.
Na faixa, Mal Evans, Neil Aspinall, George Harrison e Ringo Starr tocam gaitas enquanto George Martin toca um órgão Wurlitzer e John Lennon um órgão Hammond.

Within You, Without You
A letra é baseada na filosofia hindu que George estava estudando. Ele compôs a canção após um jantar, na casa de Klaus Voorman. Embora Klaus fosse baixista, ele tinha um órgão em um quarto adjacente que George usou nesta tarde. Apesar da era ser do ácido, a canção foi regada a incenso e maconha. Gravada no dia 25 de março, com complementos no dia 3 de abril e mixagens no dia seguinte. Foram gravados dois violinos e três violoncelos, em um arranjo escrito por George Martin, seguindo determinações de George Harrison. Nos violinos tivemos Erich Gruenberg como violinista principal, acompanhado por Alan Loveday, Julien Gaillard, Paul Scherman, Ralph Elman, David Wolfsthal, Jack Rothstein e Jack Greene. Nos violoncelos estão Reginald Kilbey, Allen Ford e Peter Beaven. A sessão durou onze horas e incluiu também George Harrison tocando violão acústico, swordmandel e tamboura. Neil Aspinall também contribuiu tocando outra tamboura juntamente com músicos indianos conhecidos por Harrison, vindos da Asian Music Center de Finchley, cujos nomes não foram anotados. Gravaram tabla, dilubra, swordmandel e tamboura.

When I'm Sixty-Four
Paul escreveu esta canção ainda menino, em 1957, na casa em que morava com sua família. Ele tinha acabado de se juntar ao Quarry Men, banda que em três anos evoluiria para os Beatles. A canção chegou a pertencer ao repertório da banda, como uma opção acústica para a cada vez mais comum quebra de equipamentos. A letra original foi inspirado em seu pai, James McCartney, ex-trumpetista de jazz nos anos trinta, por isto seu estilo tão peculiar. Em 1966, com a canção "Winchester Cathedral" se tornando um sucesso e o filme "Bonnie & Clyde" trazendo de volta os valores da década de trinta, Paul achou válido trazer a canção à tona, não antes de reescrever alguns versos. O fato de que em julho de 1966 seu pai completava 64 anos de idade também é creditado como provável motivação para a sua decisão. A sessão iniciada em 6 de dezembro de 1966, teve um naipe de clarinetes gravados no dia 21 de dezembro. Os três clarinetistas são Robert Burns, Henry MacKenzie e Frank Reidy.

Lovely Rita
Certo dia, Paul McCartney se aproxima do seu carro a tempo de ver uma policial de trânsito feminina aplicando-lhe uma multa. Ao reparar seu nome, Meta Davis, Paul comenta que Meta soa como algo que ele poderia usar em um jingle. Ao ser indagado por esta historia, Paul nega que Rita seja Meta. Ele conta que alguém havia comentado que tais policiais, que na Inglaterra são chamadas de traffic warden, na America, são chamadas de meter maids. Paul achou o nome "meter maid" extremamente musical e enquanto brincava ao piano, acabou indo de meter maid para Rita meter maid. O resto da canção cresceu daí. Gravações iniciando no dia 24 de fevereiro, onde Paul toca o piano além do baixo. A base foi toda gravada com o rolo em 46 1/2 ips, dando a impressão de ser mais rápido ao ser reproduzido na velocidade normal.

Good Morning, Good Morning
John Lennon tinha o hábito de ler o jornal na cozinha com a sua televisão portátil (a mesma que aparece na capa do disco) ligada sem volume. Um dia ele assiste uma propaganda do cereal de milho da Kelloggs, que chama sua atenção. O produto tem como animal símbolo um galo e um jingle que dizia "Good morning, good morning. The best to you each morning. Sunshine breakfast, Kelloggs Corn Flakes, crisp and full of fun". Este foi a fagulha que deu origem a esta canção dos Beatles. A letra da canção de Lennon é em si uma ode à vida suburbana que ele estava vivendo na época. A canção também oferece no final uma seqüência de sons de diversos animais. Os animais são escolhidos por ordem, do mais fraco para o mais forte, com o posterior sendo capaz de consumir o predecessor. O naipe de sopros vieram da banda americana Sounds Inc., que os Beatles conheceram no Star Club de Hamburgo em 1962. Nesta época, the Sounds Incorporated estavam tocando com Gene Vincent e Little Richard. Gravados no dia 13 de março, o naipe contou com três saxofonistas, Barrie Cameron, David Glyde e Alan Holmes; dois trombonistas, dos quais um se chama John Lee, e o outro infelizmente sendo esquecido pelo tempo e a falta de registros precisos. Por último, havia alguém tocando o French Horn, cujo nome é lembrado apenas como Thomas.

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - Reprise
Foi só no final das gravações que Neil Aspinall sugeriu que o álbum poderia ter um Sgt. Pepper's reprise para ser emendado com A Day In The Life. A idéia agradou e, diferente do primeiro, esse Sgt. Pepper's tem os quatro Beatles cantando. Paul tinha viagem marcada em dois dias, portanto esta gravação, foi iniciada e terminada em uma sessão de onze horas no dia 1º de abril.

A Day In The Life
A canção se refere quase que exclusivamente a alguns artigos de jornal lidos por Lennon. O acidente de carro é do amigo Tara Browne, herdeiro da família Guinness, donos da cerveja irlandesa Guinness. A menção dos buracos em Lancashire foi inspirada no artigo mostrado à sua esquerda. Sobre o exercito inglês ganhando a guerra, trata-se de uma referência ao filme "How I Won The War" no qual Lennon atuou menos de seis meses antes.
Para a gravação da orquestra, que foi realizado na noite de sexta-feira, dia 10 de fevereiro, o grupo fez um evento. Os 40 músicos foram instruídos a comparecerem de fraque, e lhe foram oferecidos chapéus de festa, carecas postiço, olhos e charutos falsos e nariz de palhaço para serem usados. Uma pata de gorila foi colocada na ponta de um arco de violino, balões de gás amarrados no arco de violoncelos, tudo contribuindo para criar um ar de festa e humor.
Amigos foram convidados para assistirem o evento em clima festivo, entre eles, Donovan, membros do the Fool, os Rolling Stones e os Monkees, que estavam na cidade nesta ocasião. Tudo foi filmado com o intuito de preparar um filme promocional para a televisão, o que hoje seria chamado de vídeo clipe, porém a idéia foi abandonada quando a BBC baniu a canção, acreditando que esta fazia apologia a drogas. Cenas do evento acabaram sendo aproveitados na década de noventa para o filme, Imagine - John Lennon.

The Inner Groove
Na concepção original para vinil, no final do disco, antes que a agulha da vitrola chegasse a ser levantado automaticamente, você ouve uma mensagem ao contrario (backmasking). A idéia se originou da preocupação que o silencio ao final de A Day in The Life, já acertada como sendo a última musica do album, seria o único silêncio em todo o LP. Então resolveram adicionar uma mensagem ao contrario no final do disco, idéia que seria acrescida à sugestão de se adicionar ainda um apito canino, que imite um som em 15 kilociclos, inaudíveis para o ouvido humano. Lennon que fez a sugestão, gostou da idéia de ter os cães levantando as orelhas nesta hora. Segundo Paul, a mensagem original é: "Couldn't really be any other", apesar de depois concordar que ao ouvir o resultado, soava mais como "We'll fuck you like superman."

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